Observatório Tucum #24

Toda semana aqui no blog, nosso radar sobre o movimento indígena 🏹

ACAMPAMENTO LUTA PELA VIDA

Desde o dia 22 de agosto, mais de seis mil indígenas ocupam Brasília no acampamento organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) para acompanhar o julgamento do “marco temporal” no Supremo Tribunal Federal (STF). Representantes de mais de 170 povos protestam contra a agenda anti-indígena do governo e do Congresso, reafirmando seus direitos originários à terra e às suas existências. A tese do “marco temporal” consolida a violência sofrida pelos povos indígenas nos últimos séculos e segue em votação no STF com próxima sessão marcada para quarta-feira, 08/09.

No pior governo para os povos indígenas do período democrático, o acampamento foi o maior da história, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O governo Bolsonaro uniu o movimento indígena. Entre os mais diferentes cantos e danças, havia um grito comum a todos: “Fora Bolsonaro”. “Estamos no meio de uma guerra”, explica Maurício Yek’wana. “Então dentro dessa guerra temos que ficar juntos, unindo nossas forças, senão seremos facilmente derrubados”.

Foto: Mídia Índia.

39 sustentações orais de ambas as partes do processo foram apresentadas, entre elas, falas importantes como as do jurista Eloy Terena e dos advogados Samara Pataxó, Ivo Makuxi e Cristiane Soares Baré que se marcaram a importância de derrubar a tese do marco temporal e reconhecer os direitos originários dos povos indígenas. Entidades como Greenpeace Brasil, COIAB e Instituto Socioambiental também tiveram suas apresentações consideradas pelos ministros presentes na sessão.

“A posse tradicional é suficiente para comprovar a tradicionalidade de ocupação, conforme o disposto no art. 231 da Constituição Federal de 1988. (…) Portanto a Tese do Marco Temporal significa a continuação de uma ideia colonizadora em relação aos povos originários por meio de interpretação restritiva das leis do País e do Texto Constitucional.”, Ivo Makuxi, advogado indígena em sustentação oral contra o marco temporal.

Hoje, após apreciação das sustentações ruralistas, o PGR Augusto Aras manifestou-se de forma favorável aos povos indígenas. “A nossa Constituição Federal reconheceu direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam os índios”, disse Aras. “Demarcar consiste em atestar a ocupação dos índios como circunstância anterior à demarcação”, defendeu o Procurador. O encerramento da sessão após o posicionamento de Aras foi uma pequena trégua na imensa expectativa dos povos que ocupam Brasília à espera de uma decisão favorável. O dia terminou com danças e cantos de vitória, ainda que parcial, dos povos indígenas.

Célia Xakriabá, liderança indígena abraça mulher do povo Xokleng. “Nosso marco não é temporal, nosso marco é ancestral!”
Foto: Mídia Índia.

Os indígenas decidiram estender a mobilização e permanecem acampados em Brasília até a decisão final. Seguindo os protocolos sanitários de combate à Covid-19, o grupo de cerca de mil indígenas vai somar forças à Segunda Marcha das Mulheres Indígenas, que acontece entre 7 e 11 de setembro. Fonte: ISA

Com informações do G1.

CAUSA INDÍGENA EM FOCO

A equipe do Profissão Repórter acompanhou a montagem do Acampamento Luta Pela Vida na capital federal e mostrou parte da mobilização em defesa de suas terras e contra o “marco temporal”, conversando com lideranças e representantes de diversos povos indígenas do Brasil. Jornalistas também visitaram algumas comunidades indígenas como a Xokleng (SC) e os Munduruku (PA), alguns dias antes das comitivas chegarem à Brasília.

Assista a reportagem completa clicando aqui.

GUERREIRAS EM MARCHA 

A Marcha Nacional das Mulheres Indígenas 2021 começa na próxima semana, em Brasília. Organizada em rede de mulheres da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade – ANMIGA, a Marcha é parte de um processo histórico de luta das mulheres em defesa de seus territórios, suas culturas e modos de vida. Com participação das mulheres de todos os biomas brasileiros, a mobilização traz a força das guerreiras com seus saberes, fazeres e tradições, fazendo desta Primavera Indígena uma Primavera feminina.

Mulheres Yawalapti do Xingu, na Marcha de 2019. Foto: André Coelho / Reuters.

GARIMPO: CRIME ORGANIZADO E DEVASTAÇÃO

Uma pesquisa da MapBiomas aponta que a área ocupada pelo garimpo dentro de terras indígenas cresceu 495% nos últimos dez anos. O Fantástico viajou até a terra Kayapó, no Pará, ameaçada por garimpeiros, para acompanhar a megaoperação da Polícia Federal visando ao desmonte da estrutura de exploração ilegal de ouro no local. Acompanhados por agentes da PF e agente do Ibama, os repórteres Sônia Bridi e Paulo Zero sobrevoaram a região e viram quilômetros e quilômetros de floresta devastada pelo garimpo clandestino. Fonte: G1/Fantástico.

https://globoplay.globo.com/v/9811538/

TEM PRÉ-ESTREIA HOJE 🎥  🌳

A Última Floresta retrata o cotidiano de uma comunidade Yanomami isolada na Amazônia. Enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade, o xamã Davi Kopenawa Yanomami tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições. Antes da estreia oficial, o premiado documentário terá uma pré-estreia nacional pelo Itaú Cultural Play. De 19h às 23h de hoje haverá exibição gratuita do filme e amanhã, 03/09, o diretor do filme Luiz Bolognesi e o Dário Kopenawa Yanomami, participarão de uma live no YouTube do Itaú Cultural, às 18h.

ARTE PÓS-MODERNA E OS MUITOS BRASIS

Em fevereiro do ano que vem, comemoramos o centenário da Semana de 1922, marco do Modernismo aqui no país. A partir desse mês de setembro, exposições começam a ser inauguradas para celebrar a data e trazer reflexões sobre esse momento, entre elas o CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Com curadoria de Tereza de Arruda o CCBB – Rio abre a mostra “Brasilidade Pós-Modernismo”, em cartaz na cidade até 22 de novembro. “Acho que o importante nesse momento é não visualizarmos sempre o mesmo pelo mesmo viés. É tentar, após 100 anos, seguir outro caminho, ter outra perspectiva sobre o mesmo assunto. Por isso também o título “Brasilidade”. Eu penso assim: Brasil com uma certa idade. Temos uma certa idade, supostamente um certo amadurecimento, um senso crítico, alcançamos parte daquelas ambições. Em termos de Brasil, sabemos que ainda tem muito a ser feito. Então, essa foi a intenção: não ficarmos atrelados ao que já acontecia, mas pensar no hoje baseado nas obras que foram feitas a partir da década de 1960 até a atualidade”, afirma Tereza. via Elástica

Obra “A visita dos ancestrais”, do artista indígena Jaider Esbell, do povo Macuxi é parte da mostra. Foto: Coleção do artista/ Divulgação/ Assessoria de Imprensa a4&Holofote comunicação