Toda semana aqui no blog, nosso radar sobre o movimento indígena 🏹
ACAMPAMENTO LUTA PELA VIDA
Desde o dia 22 de agosto, mais de seis mil indígenas ocupam Brasília no acampamento organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) para acompanhar o julgamento do “marco temporal” no Supremo Tribunal Federal (STF). Representantes de mais de 170 povos protestam contra a agenda anti-indígena do governo e do Congresso, reafirmando seus direitos originários à terra e às suas existências. A tese do “marco temporal” consolida a violência sofrida pelos povos indígenas nos últimos séculos e segue em votação no STF com próxima sessão marcada para quarta-feira, 08/09.
No pior governo para os povos indígenas do período democrático, o acampamento foi o maior da história, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O governo Bolsonaro uniu o movimento indígena. Entre os mais diferentes cantos e danças, havia um grito comum a todos: “Fora Bolsonaro”. “Estamos no meio de uma guerra”, explica Maurício Yek’wana. “Então dentro dessa guerra temos que ficar juntos, unindo nossas forças, senão seremos facilmente derrubados”.

39 sustentações orais de ambas as partes do processo foram apresentadas, entre elas, falas importantes como as do jurista Eloy Terena e dos advogados Samara Pataxó, Ivo Makuxi e Cristiane Soares Baré que se marcaram a importância de derrubar a tese do marco temporal e reconhecer os direitos originários dos povos indígenas. Entidades como Greenpeace Brasil, COIAB e Instituto Socioambiental também tiveram suas apresentações consideradas pelos ministros presentes na sessão.

Hoje, após apreciação das sustentações ruralistas, o PGR Augusto Aras manifestou-se de forma favorável aos povos indígenas. “A nossa Constituição Federal reconheceu direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam os índios”, disse Aras. “Demarcar consiste em atestar a ocupação dos índios como circunstância anterior à demarcação”, defendeu o Procurador. O encerramento da sessão após o posicionamento de Aras foi uma pequena trégua na imensa expectativa dos povos que ocupam Brasília à espera de uma decisão favorável. O dia terminou com danças e cantos de vitória, ainda que parcial, dos povos indígenas.


Os indígenas decidiram estender a mobilização e permanecem acampados em Brasília até a decisão final. Seguindo os protocolos sanitários de combate à Covid-19, o grupo de cerca de mil indígenas vai somar forças à Segunda Marcha das Mulheres Indígenas, que acontece entre 7 e 11 de setembro. Fonte: ISA
CAUSA INDÍGENA EM FOCO
A equipe do Profissão Repórter acompanhou a montagem do Acampamento Luta Pela Vida na capital federal e mostrou parte da mobilização em defesa de suas terras e contra o “marco temporal”, conversando com lideranças e representantes de diversos povos indígenas do Brasil. Jornalistas também visitaram algumas comunidades indígenas como a Xokleng (SC) e os Munduruku (PA), alguns dias antes das comitivas chegarem à Brasília.

GUERREIRAS EM MARCHA ✊
A Marcha Nacional das Mulheres Indígenas 2021 começa na próxima semana, em Brasília. Organizada em rede de mulheres da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade – ANMIGA, a Marcha é parte de um processo histórico de luta das mulheres em defesa de seus territórios, suas culturas e modos de vida. Com participação das mulheres de todos os biomas brasileiros, a mobilização traz a força das guerreiras com seus saberes, fazeres e tradições, fazendo desta Primavera Indígena uma Primavera feminina.



GARIMPO: CRIME ORGANIZADO E DEVASTAÇÃO
Uma pesquisa da MapBiomas aponta que a área ocupada pelo garimpo dentro de terras indígenas cresceu 495% nos últimos dez anos. O Fantástico viajou até a terra Kayapó, no Pará, ameaçada por garimpeiros, para acompanhar a megaoperação da Polícia Federal visando ao desmonte da estrutura de exploração ilegal de ouro no local. Acompanhados por agentes da PF e agente do Ibama, os repórteres Sônia Bridi e Paulo Zero sobrevoaram a região e viram quilômetros e quilômetros de floresta devastada pelo garimpo clandestino. Fonte: G1/Fantástico.

TEM PRÉ-ESTREIA HOJE 🎥 🌳
A Última Floresta retrata o cotidiano de uma comunidade Yanomami isolada na Amazônia. Enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade, o xamã Davi Kopenawa Yanomami tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições. Antes da estreia oficial, o premiado documentário terá uma pré-estreia nacional pelo Itaú Cultural Play. De 19h às 23h de hoje haverá exibição gratuita do filme e amanhã, 03/09, o diretor do filme Luiz Bolognesi e o Dário Kopenawa Yanomami, participarão de uma live no YouTube do Itaú Cultural, às 18h.

ARTE PÓS-MODERNA E OS MUITOS BRASIS
Em fevereiro do ano que vem, comemoramos o centenário da Semana de 1922, marco do Modernismo aqui no país. A partir desse mês de setembro, exposições começam a ser inauguradas para celebrar a data e trazer reflexões sobre esse momento, entre elas o CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Com curadoria de Tereza de Arruda o CCBB – Rio abre a mostra “Brasilidade Pós-Modernismo”, em cartaz na cidade até 22 de novembro. “Acho que o importante nesse momento é não visualizarmos sempre o mesmo pelo mesmo viés. É tentar, após 100 anos, seguir outro caminho, ter outra perspectiva sobre o mesmo assunto. Por isso também o título “Brasilidade”. Eu penso assim: Brasil com uma certa idade. Temos uma certa idade, supostamente um certo amadurecimento, um senso crítico, alcançamos parte daquelas ambições. Em termos de Brasil, sabemos que ainda tem muito a ser feito. Então, essa foi a intenção: não ficarmos atrelados ao que já acontecia, mas pensar no hoje baseado nas obras que foram feitas a partir da década de 1960 até a atualidade”, afirma Tereza. via Elástica

