Acampamento Terra Livre 2023

Mulheres do povo Xakriabá na entrada do palco principal do ATL 2023. Foto: Rony Eloy

Em edição histórica, o Acampamento Terra Livre encerra abril indígena com seis terras indígenas demarcadas e avança no aldeamento da política no país



O Acampamento Terra Livre é a maior mobilização indígena do Brasil e a Tucum voltou da 19a edição que aconteceu em Brasília na semana passada com a inspiração renovada. Marchar pela demarcação de terras ao lado de 200 diferentes povos, representados em mais de cinco mil corpos-território em um ATL histórico foi emocionante. Sob o tema “O Futuro Indígena é agora! Sem demarcação não há democracia”, o ATL 2023 reuniu vozes e maracás para ecoar pela capital mostrando que nunca mais um Brasil sem eles será possível.

Ao longo de cinco dias, entre apresentações culturais, debates, plenárias e manifestações artísticas, pudemos ver e ouvir de perto grandes lideranças indígenas e aprender mais sobre suas lutas. A Praça da Cidadania de Brasília virou Praça dos Povos Indígenas, com artesãos de diferentes biomas compondo uma grande feira de artes, com pinturas, artesanatos e produtos da floresta. No palco principal, a luta das mulheres, do movimento LGBT+ e da juventude indígena ganharam destaque nas plenárias principais com presença de lideranças do movimento indígena, autoridades e representantes de organizações civis. Discussões importantes em torno da gestão territorial, do Marco Temporal, da saúde, da educação e da comunicação indígena aconteceram nas tendas das organizações de base da APIB. Temas como o garimpo, os povos isolados e o lançamento de novas articulações locais tiveram destaque na tenda da COIAB, além de exibição de filmes, lançamento de editais, rodas de conversa e apresentações.

As noites culturais foram uma atração à parte do Acampamento Terra Livre, com apresentações artísticas como a do DJ ALOK + Bro MC’s na primeira noite e as Suraras do Tapajós. Na sequência da plenária Decolonizando (re)xistências, do movimento LGBT+, uma enorme passarela se abriu na plateia para uma batalha de vogue ancestral ao vivo. O escritor potiguara Juao Nyn, a artista Brisa Flow, a cineasta Priscila Tapajowara entre outres, marcaram presença nas performances.

Demarcação é Democracia

A emergência climática foi declarada pelos povos indígenas. Em marcha pela defesa da demarcação de seus territórios como solução da crise climática, os povos fizeram seus cantos, suas danças, seus rezos e suas palavras de luta ganharem a Esplanada dos Ministérios pela proteção de seus territórios e de suas vidas.

A primeira edição do ATL aconteceu em 2004, numa ocupação do Congresso pela retomada das discussões sobre o direito à terra. 19 anos depois, a luta que é a mãe de todas as lutas, pode finalmente comemorar. Este mesmo Congresso onde até pouco tempo os povos indígenas eram recebidos com hostilidade, acontecem as articulações da Bancada do Cocar, liderada pela deputada Célia Xakriabá junto a outros parlamentares do MIP e apoiadores da causa indígena. Um dos resultados mais expressivos até agora foi a criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e o relançamento da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, ambas presididas pela deputada indígena eleita por Minas Gerais.

Depois de uma forte chuva que alagou o acampamento, a sexta-feira amanheceu um novo esperançar com a homologação de seis terras indígenas, assinadas pelo presidente Lula. A plenária de encerramento do Acampamento recebeu Lula ao lado de Janja e do cacique Raoni, além das Ministras Sonia Guajajara, Marina Silva, Paulo Pimenta, a presidente da Funai, Joenia Wapichana, o secretário-executivo do MPI Eloy Terena entre outras lideranças da APIB, parlamentares e de outras organizações do movimento indígena.

Presidente Lula ganha cocar do cacique Raoni. Foto: Paulo Desana


As T.I.’s Arara do Rio Amônia (AC), do povo Arara, Kariri-Xocó (AL), do povo Kariri-Xocó, Rio dos Índios (RS), do povo Kaingang, Tremembé da Barra do Mundaú (CE), do povo Tremembé, Avá-Canoeiro (GO), do povo Avá-Canoeiro e Uneiuxi (AM), do povo Maku Nadëb são as primeiras homologações do presidente Lula, que reafirmou seu compromisso em demarcar “o maior número possível de terras indígenas ao longo do mandato.”

A proteção dos territórios e dos povos indígenas é a garantia do futuro, não só dos povos originários, mas de toda a humanidade. Fortaleça as narrativas dos povos indígenas do Brasil, contribuindo para a manutenção de suas culturas. Conheça suas lutas, compartilhe seus conteúdos. Sem demarcação não há democracia.

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