O último guerreiro Juma

Aruká Juma. Foto: Gabriel Uchida/Kanindé-ISA.

Vivendo uma situação alarmante no contexto da pandemia, com aproximadamente 50 mil casos confirmados e quase mil vítimas entre 162 etnias, os povos indígenas do Brasil enfrentam a crise sanitária e a omissão do Governo e o luto pela perda de suas lideranças.

Aruká Juma, último ancião e guardião dos saberes do povo Juma, não resistiu à infecção pelo novo coronavírus e faleceu em 17/02, depois de um mês internado no hospital de Campanha de Porto Velho (RO). O povo Juma faz parte do tronco linguístico Tupi-Kagwahiva e chegou a ter entre 12.000 e 15.000 membros na época da invasão portuguesa. Ao longo do tempo e dos inúmeros conflitos, invasões de seus territórios e massacres, em 2002 o povo Juma se resumia ao núcleo familiar formado pelo velho Aruká e suas filhas, netos e bisnetos.

Aruká e suas filhas, na Aldeia Juma (AM). Foto: Pedro Benites/Kanindé.

A história do cacique Aruká Juma segue o legado de seu povo, sucessivamente perseguido ao longo dos séculos por grupos interessados nas riquezas de suas terras. Aruká foi um dos sete sobreviventes do que ficou conhecido como massacre do rio Assuã, em 1964, que vitimou mais de 60 indígenas do povo Juma na luta pela defesa de seus territórios contra invasores seringalistas e comerciantes de castanha.
Em entrevista ao El País, o antropólogo Edmundo Peggion, que conheceu Aruká nos anos 90, afirmou que ele era “o último homem Juma que tinha memória das maneiras de caçar, dos modos artesanais próprios de seu povo. Existe um consenso na região, entre os índios Kagwahiva, de sua importância para a memória coletiva”, explicou o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Ele era reconhecido como um amóe, um título de respeito”, que significa avô em tupi-guarani.

Foto: Gabriel Uchida/Kanindé.


Sobrevivente de uma trajetória de luta e resistência pela preservação de seu povo e de seus territórios, Aruká não resistiu às consequências da Covid-19, sendo mais uma vítima da condução omissa e criminosa do atual governo em relação à proteção da população e em especial, dos povos indígenas.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, junto com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB e o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato – OPI divulgaram uma nota de pesar pela morte de Aruká. Leia aqui.


Referências:

Instituto Socioambiental: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Juma

Amazônia Real. https://amazoniareal.com.br/morre-de-covid-19-o-guerreiro-aruka-juma/

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