Expedição Krahô II – Nós, os cupẽ, na visão dos Mehin

Expedição Krahô II – Nós, os cupẽ, na visão dos Mehin

Aldeia Pedra Branca, T.I. Krahô, TO. Foto: Hula.

Aldeia Pedra Branca, T.I. Krahô, TO. Foto: Hula.

 

A Tucum nasceu de um desejo de trazer toda a riqueza da arte da floresta ao público geral, promovendo e aproximando a cultura indígena e tradicional dos centros urbanos. A atuação da Tucum se dá em conjunto com associações indígenas, núcleos familiares ou comunitários e artesãos, que passam a integrar nossa rede de fornecedores e colaboradores.

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É o caso da Associação Centro Cultural Kàjre, que representa a etnia Krahô, autodenominados Mehin, da aldeia Pedra Branca, TO, e trabalha na organização do manejo sustentável dessas matérias-primas e na comercialização das peças. Todo o recurso arrecadado é revertido para investimentos na própria aldeia.

Foto: ProDocult/Museu do Índio.

Maria Hõmrẽ, Iraci Hapxetep e Inês Poxên com macos feitos de tucum; Severa Ihkwỳp Maria Prerkwyj e Iolanda Wakrẽr com sementes cabeça-de-formiga (homĩjre). Foto: ProDocult/Museu do Índio.

 

A parceria entre Tucum e os Krahô é antiga e motivo de muito orgulho para nós. É sempre gratificante estar na aldeia, conhecer as inovações criadas pelas mulheres, auxiliar na estruturação da cadeia de produção e colaborar junto ao processo criativo Krahô, desenvolvendo coleções e envolvendo outros artistas neste modo de fazer ancestral.

Jucilene Pyran

Jucilene Pyran. Foto: Helena Cooper

 

Toda vez que a Tucum parte em expedição rumo à Terra Indígena, muitos querem saber como acontece de fato, esta estruturação, que inclui cálculo de precificação, estratégias de gestão, logística, distribuição e co-criação junto aos artesãos. Na volta desta última viagem à aldeia, pedimos à designer Monica Carvalho, nossa parceira e artista de mão cheia, que falasse um pouco sobre a experiência, aqui. Agora, quem fala são os próprios Krahô, o que não podia nos deixar mais felizes e confiantes na missão que temos por aqui.

Os relatórios abaixo são parte do Projeto de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, e foram escritos pelo Cuni, que é cinegrafista indígena do Grupo audiovisual Mentwajê Guardiões da Cultura e pela Amxỳ, professora e uma das artesãs mais originais, que também trabalha junto à Associação Kàjre. Com muita alegria recebemos esse retorno sobre a atuação da Tucum em campo, encaminhado pela antropóloga e pesquisadora Ana Gabriela Morim (UFRJ), que coordenada o sub-projeto Krahô/Museu do Índio/Funai e é colaboradora da rede Tucum. É ela quem explica melhor sobre o projeto:

 “O projeto “Artesanias do Cerrado: saber-fazer das mulheres Krahô” (Prodocult-Museu do Índio) surgiu da demanda dos próprios Krahô em aprofundar a pesquisa das sementes e fibras vegetais do Cerrado utilizadas na produção artesanal. O objetivo maior foi documentar o processo, o que envolveu uma caracterização detalhada desde os métodos de coleta, das épocas e locais de manejo, dos atores envolvidos na produção familiar, das técnicas de transformação das matérias-primas até a confecção final do objeto, abarcando também os usos cotidianos e rituais, as narrativas míticas e os cantos associados. Além das oficinas e da pesquisa de campo, contávamos com dois bolsistas indígenas que realizam relatórios mensais sobre os trabalhos realizados na aldeia.”

 Sobre o trabalho da Tucum em campo, Ana completa: “Já o projeto da Tucum, ao meu ver, tem essa missão de tecer o elo entre os diferentes “agenciadores” da cadeia, trabalhando junto às associações e grupos familiares em todas as etapas, desde a curadoria, o acabamento, a qualificação, a precificação, o mercado e a comunicação. A Tucum promove esse diálogo riquíssimo entre arte indígena e design sustentável, a partir do qual ambos se afetam mutuamente, fazendo sair desse encontro algo novo. Ao contrário de “domesticar” a arte indígena pela lógica do mercado, a ideia é fazer ecoar toda sua potência criativa. E fazer circular os conhecimentos indígenas para além dos muros acadêmicos e museológicos. Tive a oportunidade de atuar em ambos os projetos que, mesmo com objetivos distintos, são bastante complementares, mostrando que o trabalho em rede só vem a somar.”

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Artesãos Krahô e suas criações desenvolvidas para a Tucum. Fotos: Helena Cooper